Entendendo e requisito P5.4 da VDA 6.3 edição de 2016.

  11/12/2020

Nesta sequência de publicações sobre a VDA 6.3 falaremos do requisito P5.4 que envolve o processo de validação das amostras iniciais junto aos fornecedores. Este requisito é o primeiro dentre os analisados até o momento que está identificado com o símbolo “asterísco”, e isto significa que em caso de não conformidades com nota quatro ou nota zero pode ocorrer a reclassificação do resultado geral (farol), mas este tema será abordado em outra publicação mais a frente.

Hoje vamos abordar o que é necessário ter em mãos para evidenciar que todas as exigências relacionadas a validação das amostras iniciais foram atendidas.

Primeiramente precisamos falar que se tratando da norma VDA 6.3 é aceito que o fornecedor (tier 1) utilize ou o manual PPAP ou o manual VDA 2 como ferramenta para documentar seu processo de aprovação de amostras iniciais, porém antes de definir avaliem os clientes envolvidos, pois em alguns casos os mesmos podem ter exigências especificas sobre este processo.

Outro ponto importante a salientar é a necessidade de existir um  procedimento dentro do sistema de gestão da qualidade que aborde o assunto. Embora a norma VDA 6.3 não exija um procedimento documentado, o Prof. Kaoru Ishikawa escreveu há mais de 50 anos que a melhoria se inicia pela padronização, portanto não relutem em escrever um procedimento que aborde todo este processo.

Já que é recomendável a existência do procedimento, é necessário que o mesmo descreva os critérios utilizados para a validação das amostras iniciais, com o intuito de demonstrar se os requisitos de produto são atendidos e se o processo da empresa tem condições de produzir e entregar os produtos de forma a satisfazer as necessidades dos clientes. 

De modo geral as amostras são submetidas a uma aprovação quando se tratar de uma peça nova, uma peça modificada, quando ocorrer a correção de um problema existente em uma peça submetida anteriormente ou quando ocorrer eventos específicos geralmente explicitados nos requisitos adicionais dos clientes.

Há outras situações  no mercado automotivo que exigem uma nova submissão de amostras e entre elas uma muito comum é quando o fornecedor (tier 1), promove uma troca de fonte de fornecimento (tier 2), sendo que nestes casos são utilizadas ferramentas de propriedade do cliente. Neste caso  além de ser necessária a autorização do cliente (OEM) é mandatório que haja uma nova submissão de amostras.

Nota: Todas as peças a serem incorporadas em um produto OEM é necessário que sejam submetidas a um processo de aprovação de amostras iniciais, independente do nível em que o fornecedor se encontra dentro da cadeia de suprimentos.

Uma rotina comum nos processos de aprovação de amostras iniciais é a existência do conceito de “APROVADO CONDICIONAL”, nestes casos é importante que o procedimento que trata da aprovação de amostras aborde este critério e descreva as ações a serem tomadas pelas partes envolvidas quando tal fato ocorrer.

No caso de “APROVADO CONDICIONAL”  um plano de ação deve ser elaborado contendo as ações a serem implementadas, os responsáveis e os prazos limites para a nova submissão. Um controle dos prazos e das ações deve ser implementado para garantir a eficácia do plano elaborado.

Como forma de controlar as submissões é importante que a empresa mantenha um controle de todas as peças recebidas para análise, o nível de PPAP requerido, quando este for o caso, bem como o status final e as datas de aprovação. Como um dos requisitos especiais do grupo VW é a requalificação dos produtos no máximo a cada 3 anos, esta mesma planilha poderia conter um campo com a data da nova submissão, tendo como base este requisito de erqualificação.

A experiência tem demonstrado que as empresas certificadas pela IATF 16949 conseguem se sair bem neste requisito da VDA 6.3, porém é necessário que prestem atenção em detalhes operacionais que podem comprometer a classificação final do item durante uma auditoria e também analisar criticamente os requisitos adicionais das empresas antes da aprovação final das submissões

Analisando os requisitos especiais do grupo Traton (Scania e VW Caminhões, podemos elencar os seguintes itens:

a)     Todas as amostras devem ser fornecidas sem custos

b)    Peças de aparência podem ser requeridas submissões através de loopings

c)     O peso da peça deve ser informado no momento de submissão das amostras

d)    MAN: Toda documentação deve ser submetida em formato eletrônico

e)    MAN: Quando se tratar de peça com tratamento superficial, uma peça sem tratamento superficial deve ser submetida antes como amostra inicial

f)      MAN: Quando por algum motivo não for possível o atendimento algum requisito ou especificação que comprometa as especificações finais do produto, isto deve ser informado por escrito ao departamento corresponde da MAN para que sejam tomadas as devidas providências.

g)     Scania: Para os fornecedores (tier 2) Scania, a submissão de PPAP deve ser nível 4

h)    Scania: Quando o fornecedor se utilizar de amostras padrão, deve estar definido e documentado um procedimento que trate da identificação, armazenamento, recuperação, retenção e disposição das amostras padrão

Logicamente que aqui não se esgotam os requisitos adicionais dos clientes, por isso é mandatório que seja realizada uma análise crítica do Fórmula Q-Concreta e do CVS-10 para que tudo aquilo que possa impactar no produto ou processo sejam identificados e tratados de maneira adequada.

Sei que estamos falando de uma atividade maçante, mas ao mesmo tempo em que é cansativa ela se torna imprescindível para evitar perda de recurso (dinheiro e tempo) durante o processo de desenvolvimento de novos produtos.

Como forma de reforçar a necessidade da análise citada anteriormente reforço que  vários  relatórios de auditorias VDA 6.3 que tive a oportunidade de analisar apresentaram problemas que teriam sido  evitados e não foram pois o sistema de gestão da qualidade destas empresas nao previa uma análise crítica documentada dos materiais recebidos durante o processo de submissão, e nos casos raros casos em que o processo de análise estava definido, esta análise era executada de forma subjetiva, sem responsabilização, ou seja, não é possível saber quem fez a análise, o que foi encontrado de certo ou errado e com isso os problemas não sforam  corrigidos e nem evitados nos projetos futuros. 

Baseado nisto, é importante que seja criado um “check list” detalhado do que deve ser verificado em cada submissão de amostras, registros que evidenciam o que foi visto e responsabilizem os envolvidos, e uma análise multidisciplinar ao final do processo de aprovação com as áreas de Compras, Engenharia, Manufatura e fornecedor, quando aplicável a fim de revisar as falhas encontradas e minimizar a probabilidade de ocorrências em eventos futuros.

Caso surja mais dúvidas com relação a este tema, entre na nossa área de contato e façam as perguntas, que logo a responderemos, e caso não saibamos do assunto, nos comprometemos a pesquisar e dar a resposta mais adequada.

 

Antônio Andrade

Mestre em Engenharia Mecânica, professor universitário e especialista em sistemas de gestão da qualidade.


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