Entendendo o requisito P5.1 da VDA 6.3 edição de 2016

  03/12/2020

Através deste site e das nossas plataformas digitais abordaremos os requisitos da norma VDA 6.3 versão 2016 com o intuito de contribuir com as empresas que a utilizam para a gestão de seus processos e também como uma fonte de informação para as auditorias que envolvam os requisitos desta norma.  

 

Nestes posts quando aplicável, falaremos também dos requisitos específicos que são requeridos pela  VW Automóveis, descritos na Fórmula Q-Concreta, e dos requisitos específicos da Scania e Volkswagen Caminhões descritos no manual CVS-10 (Commecial Vehicle Standard)

 

Vamos iniciar essa jornada de análise tomando como base uma auditoria de processos para os produtos que já estão em série, que neste caso compreende os requisitos P5 que trata da gestão de fornecedores, o requisito P6 que envolve os processos produtivos e suas interfaces e o P7 que envolve toda a sistemática de atendimento aos clientes.

 

Hoje escrevo especificamente sobre o requisito P.5.1.

 

Este requisito fornece às organizações subsídios para avaliar como cada empresa fornecedora de uma montadora (tier n ) avalia e seleciona os seus fornecedores (tier n+1).

 

A norma VDA 6.3 no requisito P5.1 deixa bem claro que as empresas devem apenas comprar de fornecedores liberados (qualificados) e com capacidade de qualidade (nível aceitável de qualidade).

 

Quando se analisa com mais detalhes este requisito é possível verificar que não estão explícitos critérios pré-estabelecidos de qualificação, até porque isto não faria muito sentido, pois cada empresa em função do seu ambiente de negócio, da qualidade e da extensão da sua cadeia de fornecedores e da complexidade de seus produtos pode ter critérios e necessidades diferentes para escolha de seus parceiros estratégicos.

 

Neste mercado de produção de veículos, altamente competitivo, as empresas têm adotado diversos critérios para a seleção de fornecedores, estando listados abaixo alguns deles, que são:

 

a)     Situação financeira da organização

 

b)     Certificações de sistemas de qualidade

 

c)      Certificações de sistemas de gestão ambiental

 

d)     Requisitos de compliance

 

e)     Requisitos de saúde e segurança 

 

f)      Capacidade de fornecimento

 

g)     Desempenho de qualidade

 

h)     Etc.

 

 

 

Os critérios não se resumem a estes e também não quero dizer que estes devam estar presentes na análise de risco de todas as empresas. Na verdade, cada empresa deve estabelecer quais são os critérios adequados à sua necessidade e com base nestes selecionar os seus fornecedores, porém, ela não pode deixar de levar em conta os requisitos específicos dos clientes, caso estes estejam documentados.

 

Para atendimento ao P5.1 a minha sugestão é que haja um procedimento documentado que detalhe os critérios de seleção adotados pela empresa, no entanto, quando a empresa é certificada IATF 16949, a existência de um documento deixa de ser uma recomendação e passa a ser mandatória (conforme requisito 8.4.1.2 IATF 16949).

 

A empresa ao estabelecer seus critérios de seleção para novos fornecedores está criando uma porta pela qual todos eles deverão passar para que sejam considerados “fornecedores qualificados”, entretanto podem existir fornecedores que por algum motivo não foram capazes de atender a todas as exigências, sendo que nestes casos a empresa tem duas saídas que devem ser adotadas, sendo elas:

 

a)   Quando os critérios são próprios da organização, e não envolvem nenhum requisito específico de cliente e também nenhum requisito regulamentar ou de legislação é importante que esteja previsto no procedimento a tratativa a ser dada nestas situações. Neste ponto deve ficar claro  que há um risco para a cadeia de fornecimento e por isso a empresa deve definir, implementar e monitorar ações que tenham como objetivo mitigar ou eliminar os riscos identificados.  A decisão de comprar ou não deste fornecedor nesta situação deve ser respaldada pela análise dos riscos envolvidos. Esta análise deve ser documentada, registrada e estar disponível para ser apresentada durante uma auditoria.

 

b)   Quando os critérios não atendidos estão relacionados a requisitos específicos dos clientes é necessário que seja autorizado pelo cliente a utilização de um fornecedor que não atenda aos requisitos, não sendo isto autorizado, e caso a empresa decida comprar deste fornecedor, mesmo que a análise de risco seja mínima, está caracterizada uma não conformidade, que será pontuada em função da relevância que o critério não atendido tenha para o cliente.

 

 

Nota: Nos casos de critérios não atendidos que envolvam legislação ou requisitos regulamentares não é permitido a aquisição destes produtos pela empresa.

 

Nos dois casos acima, quando temos fornecedores que não atendem aos requisitos de qualificação estabelecidos, mesmo com a tomada de ações para mitigar os riscos, tem-se a evidência do não atendimento pleno do requisito, que apenas relembrando, define que a empresa deve utilizar apenas fornecedores aprovados, e neste caso não temos uma aprovação plena, mas sim condicional, e por isso é passível a aplicação de uma não conformidade durante a auditoria.

 

Ainda com relação a este processo de qualificação, como hoje o mundo está totalmente globalizado, uma pergunta que sempre surge nas auditorias, consultorias e seminários é a forma como lidar com os fornecedores do exterior, e neste caso a norma não diferencia ou categoriza os fornecedores em locais ou não locais, sendo então que a princípio os critérios podem ser os mesmos. 

 

Baseado na minha experiência eu sempre sugiro, no caso de fornecedores de fora do país, que sejam estabelecidos critérios adicionais para a seleção (p.ex: a existência de representantes locais da empresa no Brasil, níveis de estoque mínimo no Brasil, planos de contingência nos casos de problemas com transporte, etc.), pois a experiência nos diz que quando ocorrem problemas com fornecedores do exterior, os custos e o tempo de resposta são sempre maiores quando comparado aos fornecedores locais.

 

Temos em alguns casos, empresas que tem fornecedores no exterior, mas o processo de qualificação é todo desenvolvido pela matriz, se este for o caso da sua empresa, deixe claro no procedimento esta condição e tenha em mãos as evidências de qualificação aplicadas pela matriz, como por exemplo uma lista com  as notas obtidas, a data da execução da auditoria, uma cópia do relatório, etc.

 

 

 

Agora abordando os requisitos específicos para o item P5.1, a VW Automóveis requer que:

 

a)     No processo de seleção de novos fornecedores (tier 2) é mandatório que os fornecedores de primeiro nível (tier 1) façam uma auditoria em seus fornecedores (tier 2) usando como base todos os requisitos descritos na Análise Potencial – P1 da norma VDA 6.3, sendo que o formulário pode ser específico da organização, no entanto todas as questões da Auditoria Potencial - P1 devem estar inseridas nesta avaliação, e os critérios de aprovação devem ser os mesmos adotados pela montadora.

 

 

b)     No caso de produtos em série, os fornecedores de primeiro nível (tier 1) devem avaliar seus fornecedores (tier 2) em um intervalo máximo de 1 ano, podendo esta auditoria ser in loco, e realizada pelo próprio tier 1, por alguma empresa ou profissional contratado, ou através de uma auto avaliação, sendo que em todos os casos é mandatório que o Auditor seja qualificado para a execução desta atividade. Esta sistemática deve estar descrita nos documentos do sistema de gestão de qualidade do fornecedor.

 

 

c)     No caso de produtos em série, durante as auditorias periódicas de processo é necessário que sejam realizadas também as auditorias de produto, e o resultado desta auditoria deve ser considerado no resultado final da avaliação de desempenho de qualidade do fornecedor. 

 

 

d)     Os fornecedores (tier 2) devem ter certificação mínima ISO 9001 válida por um organismo certificador credenciado e há uma solicitação da área de Compras datada do ano de 2009 que todos os  fornecedores (tier 1) orientem a sua cadeia de fornecimento a adequarem os seus sistemas de gestão aos requisitos da ISO 14001, porém a carta não cita a necessidade de certificação e nem estipula um prazo para isto.

 

Para as empresas do grupo TRATON (Scania e VW Caminhões) os requisitos são:

 

a)     No processo de seleção de novos fornecedores (tier 2) é mandatório que os fornecedores de primeiro nível (tier 1) façam uma auditoria em seus fornecedores (tier 2) usando como base todos os requisitos descritos na Análise Potencial – P1 da norma VDA 6.3, sendo que o formulário pode ser específico da organização, no entanto todas as questões da Auditoria Potencial - P1 devem estar inseridas nesta avaliação, e os critérios de aprovação devem ser os mesmos adotados pela montadora.

 

 

b)     No caso de produtos em série, os fornecedores de primeiro nível (tier 1) devem avaliar seus fornecedores (tier 2) em um intervalo máximo de 1 ano, podendo esta auditoria ser in loco, e realizada pelo próprio tier 1, por alguma empresa ou profissional contratado, ou através de uma auto avaliação, sendo que em todos os casos é mandatório que o Auditor seja qualificado para a execução desta atividade. Esta sistemática deve estar descrita nos documentos do sistema de gestão de qualidade do fornecedor.

 

 

c)     No caso de produtos em série, durante as auditorias periódicas de processo é necessário que sejam realizadas também as auditorias de produto, e o resultado desta auditoria deve ser considerado no resultado final da avaliação de desempenho de qualidade do fornecedor. 

 

d)     Os fornecedores (tier 2) devem ter certificação mínima ISO TS 16949 válida por um organismo credenciado. Com relação a este requisito uma parte considerável da cadeia ainda não está adequada, visto que a data de emissão da norma é de março de 2020, por isso é mandatório que seja solicitado junto ao cliente uma derroga para este requisito. A minha expectativa é que os clientes autorizem esta derroga, mas com a condição de que seja estabelecido um plano de adequação dentro de um determinado período, e minha recomendação  é que este período seja no mínimo de um ano, com possibilidade de postergação por mais um ano, visto as dificuldades na implementação de um sistema de gestão da qualidade baseada nos requisitos da IATF A6949.

 

Nota: Não há nada descrito no manual Fórmula Q-Concreta ou no CVS-10 sobre a necessidade de certificação ISSO 14001 pelos fornecedores (tier 2 até tier n), apenas no caso da VW Automóveis como foi dito acima, há uma carta emitida pela área de Compras datada do ano de 2009 que solicita o desdobramento dos requisitos de gestão ambiental a toda a cadeia de fornecimento.

 

 

Espero que este post ajude a todos a melhor entender os requisitos da norma e a partir deste entendimento implementar ações de melhoria que minimizem os riscos e contribua para uma maior performance da cadeia de fornecimento, aumentado desta forma a produtividade da organização e a satisfação dos clientes.

 

Com certeza o tema não foi esgotado nestas palavras e acredito que ainda haja muitas dúvidas e incertezas sobre o atendimento a este requisito, bem como várias informações adicionais possam ser acrescentadas, por isso peço que acessem a nossa página de contato no canto direito superior da página, nos envie sua informação ou dúvida que faremos uma avaliação e responderemos e se for informação nova puiblicaremos para assim disseminar as informações

Equipe de Consultores da Vision.

 

 


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